segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Estranha?

Ano passado eu terminei o meu segundo conto, o primeiro em três anos. Se chama Crescendo e eu fiquei muito emocionada por terminar, pois foi como tirar um curativo sabe. Quanto mais rápido menos doloroso?
Eu escrevi agradecimentos e eu agradeci ao próprio conto por existir.
Verdade, e eu ainda estou agradecida.
Na sétima eu li um livro do Pedro Bandeira (é isso?) onde ele falava dos seus livros como se fossem crianças que ele pôs no mundo e que de repente se levantam da folha e começam a dar os seus primeiros passos pelo papel e ele só ficou olhando e deixando que seguissem seu caminho e escrevessem a sua própria historia.
Naquela época eu ainda não tinha começado a escrever, mas aquelas palavras me tocaram (mesmo eu não tendo gostado muito do livro do cara), foi significativo e quando eu escrevi meu primeiro conto (que uma das minhas melhores amigas perdeu) eu entendi o que ele estava falando.
Meu primeiro conto teve dez páginas e o titulo era:"A menina do balanço." Era narrado por um menino tímido que acabou ficando muito amigo de uma menina que ele tinha muito medo. Era meio vitoriano e eu pouco sombrio, eu sorteei uma palavra e comecei uma historia, eu tinha que terminar e depois de muito sofrimento eu consegui e depois disso não parei mais.
Eu o emprestei a uma amiga para ler e ela perdeu. Sabe eu amo a minha amiga, ela é como uma irmã para mim (do tipo que a gente escolhe), mas é uma coisa que me machuca profundamente até hoje. Eu lembro da primeira frase e da ultima, lembro da capa improvisada de ultima hora e da dificuldade que eu tive de encontrar os grampos para grampear o conto e das milhares de palavras que jorraram da minha mente criando uma historia que ate hoje eu não acredito que eu criei, lembro de como eram os rostos e vozes dos personagens na minha mente e de como eu fiquei feliz de ver minhas outras amigas lendo aquilo que eu criei...
(Estou chorando aqui (não é a primeira vez que eu choro por isso)
Eu queria tanto ter aquele conto de volta. Eu sinto tanta falta da garota que o escreveu e queria ter aquele pedacinho dela pois naquele ano muita coisa mudou em mim e na minha vida e as vezes eu penso naquele conto e lembro novamente de tudo aquilo e eu queria reescreve-lo, mas não seria a mesma coisa.
Eu queria muito ter de volta aquele conto, muito mesmo. Se por um milagre ele fosse encontrado eu seria tão feliz que poderia te morrer e morreria de bom grado se pudesse só te-lo nas mãos novamente.

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